Entrevista - “As mulheres não estão na política somente para tratar temas de mulheres”
Entrevista - “As mulheres não estão na política somente para tratar temas de mulheres”
PUBLICADO EM 02/05/2013 - 00:00

marcileiPresidente do Fórum da Mulher Vereadora da Acamosc, Marcilei Vignatti, debate a participação da mulher na política

Chapecó – Mulheres vereadoras e parlamentares de todo o Estado participam nos dias 9 e 10 de maio, em Joinville, do IV Encontro de Mulheres Parlamentares de Santa Catarina. Serão dois dias de palestras e de debates sobre a participação das mulheres na política, além da eleição da nova diretoria do Fórum da Mulher Vereadora de SC e definições das estratégias e atividades a serem desenvolvidas para 2013.
A primeira palestra na manhã do dia 9 será com o tema “cabeça, coração e coragem no exercício da função pública”, com a pedagoga empresarial, psicóloga e pós-graduada em Recursos Humanos, Clarice Leal. À tarde, a palestra é sobre o perfil do Legislativo Catarinense: como está a representação feminina no Estado – dados estatísticos, com o técnico judiciário, chefe de seção da coordenadoria de Gestão da Informação da Secretaria Judiciária do TRESC, Hugo Frederico Vieira Neves. Para encerrar o primeiro dia de debates, uma mesa redonda discute a “representação feminina na política catarinense: avanço ou retrocesso?”, com a participação das deputadas estaduais de Santa Catarina e convidadas.
Segundo dia
No dia 10, as mulheres debatem transferências e captação de recursos para entidades não governamentais, prestação de contas e subvenção social, Lei de Acesso a Informação – A LAIs nas Câmaras Municipais, além da importância da representação feminina na Câmara Federal e no Senado Federal.
Nesta entrevista, a vereadora de Chapecó e presidente do Fórum da Mulher Vereadora da Associação das Câmaras do Oeste de Santa Catarina, Acamosc, Marcilei Vignatti, fala sobre os desafios da mulher na política e debate o papel delas no cenário político depois da lei que garantiu maior participação nas eleições.


 - Como você vê a participação da mulher na política no Estado e na região? Houve avanços?
Marcilei – Houve avanços, mas ainda a participação da mulher na política é muito pequena e uma das menores do mundo. Ainda precisamos avançar no número de candidaturas e nas condições para as mulheres serem candidatas. Hoje o problema está na condição de disputa: ela tem toda uma condição especial diferente, tem filho, tem que ter permissão do marido, dificuldade de renda, muitas vezes não dirige, não tem autonomia financeira e por isso encontra dificuldades. Não é só na política, mas em todas as atividades de comando, de gestão, as mulheres ocupam pouco espaço (presidentes, executivas, ministras). É um problema de modelo de sociedade, toda a sociedade precisa avançar, no sentido de perceber que as mulheres tem as mesmas condições dos homens de ocupar cargos de comando e gestão.

 - A Lei que garante vagas às mulheres nas eleições surtiu efeito? As mulheres estão participando mais ou apenas preenchendo a cota dos partidos?
Marcilei – Teve um momento na história da legislação, em que era uma possibilidade os 30% reservados às mulheres, depois foi obrigatório o preenchimento. A lei foi um avanço, passamos de uma possibilidade para uma condição. No PT, a proposta que discutimos é a paridade de gênero na composição dos diretórios e das vagas. Isso vai ajudar muito na efetiva participação da mulher na política. Muito provavelmente na Reforma Política, não alcançaremos a paridade de gênero. Hoje faltam mulheres que queiram ser candidatas, por isso esse processo não pode ser uma imposição, é uma construção, tem que ser processual.

 - O que é preciso mudar para garantir a maior participação?
Marcilei – Acho que as mulheres precisam continuar estudando, buscando autonomia financeira e construindo novas relações familiares em que a igualdade seja uma conseqüência natural. A mulher precisa também se impor mais, disputando a ocupação de espaços na política e na sociedade.

 - Como a mulher pode se destacar na política?
Marcilei – As mulheres que estão na política precisam construir credibilidade na atuação parlamentar. Temos características que são fundamentais e precisam ser introduzidas na política, é isso que faz a diferença nos mandatos femininos. Não é se espelhar nos homens, não é se comparar a eles, é se utilizar das competências e qualidades, trabalhando com vários temas, capacidade de negociação, de organização e com nível de detalhes que contribui muito para a qualificação das políticas públicas. As mulheres não estão na política somente para tratar temas de mulheres, mas sim para discutir os temas da sociedade em geral. A mulher precisa ter pulso firme para defender suas idéias.
idéias”