Na
tarde desta segunda-feira (29), o Plenário Rivadávia Scheffer da
Câmara Municipal de Chapecó esteve lotado para a reunião de
trabalho que discutiu os bloqueios dos cartões de transporte
coletivo urbano concedidos a pessoas com fibromialgia. O encontro foi
proposto e conduzido pelo vereador Fernando Cordeiro (PL), por meio
do Requerimento nº 196/2025, com o objetivo de ouvir relatos,
esclarecer procedimentos e buscar soluções conjuntas para os
desafios enfrentados pelos usuários.
A reunião contou
com a presença de representantes do poder público municipal, da
concessionária de transporte coletivo urbano e da sociedade civil.
Também compuseram a mesa: Marlei Teresinha Adler Keller, presidente
da Associação dos Diagnosticados com Fibromialgia de Chapecó
(Fibrochape); João Lenz, secretário de Saúde; Ana Gava, secretária
adjunta de Saúde; Maria Regina Tomaz, gerente de fiscalização de
transportes, representando o secretário de Segurança Pública,
Clóvis Ari Leuze; e Luana Becker Scopel, diretora administrativa
financeira da Auto Viação Chapecó, representando o diretor da
empresa, João Carlos Scopel. Também participou a vereadora Ediane
Folle (PSD).
O tema em discussão
O
ponto central foram os bloqueios nos cartões de transporte de
pessoas diagnosticadas com fibromialgia, doença reconhecida por
legislações federal, estadual e municipal como deficiência.
Atualmente, muitas dessas pessoas, e algumas também em situação de
vulnerabilidade social, têm enfrentado dificuldades para acessar a
gratuidade no transporte público, gerando insegurança e prejuízos
no seu direito de locomoção. Segundo Fernando Cordeiro, o encontro
foi pensado para construir soluções de forma conjunta. “Aqui é
o lugar para buscarmos, juntos, alternativas por meio do debate. Não
se trata de aprovar novas leis, mas de garantir o cumprimento das que
já existem”, afirmou o vereador, destacando ainda que a partir
de 2026 a fibromialgia passa a ser oficialmente considerada uma
comorbidade para fins de benefícios previdenciários.
A
presidente da Fibrochape, Marlei Teresinha Adler Keller, chamou
atenção para o impacto do problema. “Atendemos hoje cerca de
200 pessoas em Chapecó e aproximadamente cinco mil em toda a região,
abrangendo 44 municípios. Muitas estão em situação de
vulnerabilidade social. Precisamos avançar no atendimento
especializado, com prioridade, rapidez, respeito e dignidade. Quanto
ao transporte coletivo, vemos que muitas carteirinhas estão
sendo cortadas ou inativadas. Nosso grupo só aceita pessoas com
laudo médico comprovando o diagnóstico. Então, qual é o critério
usado para conceder ou retirar o transporte dessas pessoas?”,
questionou.
O
secretário de Saúde, João Lenz, explicou como funciona o processo
dentro da pasta. “A Secretaria de Saúde segue o decreto que
regulamenta o transporte público municipal. O usuário apresenta um
laudo médico, que pode eventualmente ser contestado pela empresa
concessionária. Havendo divergência, cabe à secretaria avaliar por
meio de uma comissão multidisciplinar formada por médicos,
enfermeiros, assistentes sociais e outros profissionais. Essa
comissão analisa a documentação enviada e emite o despacho,
favorável ou não. Seguimos os mesmos critérios previstos no
Decreto Federal nº 3.298/1999, que trata das deficiências em
geral”, esclareceu.
A gerente de fiscalização de
transportes, Maria Regina Tomaz, ressaltou a necessidade de
acompanhamento e publicidade do processo. “Enquanto Secretaria
de Segurança Pública, cumprimos a legislação. A concessionária
pode questionar a documentação, mas quem faz a avaliação final
é a Secretaria de Saúde. O que precisamos é achar um caminho para
acompanhar essa tramitação, porque hoje não sabemos em que ponto o
processo está quando chegam reclamações de carteirinhas inativas.
Colocamos o setor de ouvidoria (3321-8484) à disposição para
auxiliar nesses casos”, explicou.
Pela Auto Viação
Chapecó, Luana Becker Scopel reforçou que a empresa cumpre o
decreto municipal. “O portador de fibromialgia ou de outra
deficiência apresenta o laudo médico. Podemos fazer uma consulta
complementar com um médico especialista contratado pela empresa e
encaminhamos o resultado à Secretaria de Saúde, que decide sobre a
gratuidade com base nas documentações apresentadas.
Seguimos o processo previsto no decreto”, explicou.
Encaminhamentos
Como resultado da
reunião, ficou encaminhado que os casos de bloqueio terão de
receber resposta oficial e publicizada, garantindo ao usuário o
direito de recurso. Além disso, foi solicitada a organização de um
fluxo de comunicação mais eficiente, com devolutivas por telefone
ou e-mail, para evitar que pacientes fiquem sem informações. O
vereador Fernando Cordeiro concluiu reforçando que a intenção da
reunião não é apontar culpados, mas buscar soluções resolutivas.
“Quem teve o benefício negado poderá deixar seus dados conosco
para que possamos acompanhar o processo. Vamos levar todas as
demandas aos órgãos competentes, porque nosso compromisso é com a
população que precisa desse direito garantido”, concluiu.