Câmara promove diálogo sobre condições de trabalho no HRO
Reunião entre gestores, Ministério Público do Trabalho, sindicato da categoria e vereadores aponta caminhos para melhorias.
PUBLICADO EM 28/07/2025 - 17:34

As condições de trabalho dos profissionais da saúde do Hospital Regional do Oeste (HRO) foram a pauta da reunião de trabalho realizada na tarde desta segunda-feira (28), no plenário Rivadávia Scheffer da Câmara de Vereadores de Chapecó. A atividade foi conduzida pelo vereador Cesar Valduga (PCdoB), proponente do Requerimento 142/2025, em conjunto com o vereador Paulinho da Silva (PCdoB), e contou com a presença de representantes da gestão do Hospital Regional do Oeste, do Ministério Público do Trabalho (MPT) e do Sindicato dos Trabalhadores em Estabelecimentos de Serviços de Saúde de Chapecó e Região (SITESSCH). A reunião também teve a participação dos vereadores Fernando Cordeiro (PL) e Deise Schilke (PT).

O objetivo da reunião foi ouvir os diversos atores envolvidos, compreender os desafios enfrentados no ambiente hospitalar e discutir encaminhamentos para possíveis melhorias. O diretor-geral do HRO, Franklin Lindolf Bloedorn explicou que a gestão do HRO é realizada pela Associação Lenoir Vargas Ferreira, entidade privada, sem fins lucrativos, responsável por administrar um patrimônio público e prestar serviços de saúde a população de toda a região. “Há muito tempo a tabela SUS está defasada e não cobre integralmente os custos das atividades realizadas na unidade. Contamos com o aporte mensal de recursos do Governo do Estado de Santa Catarina, e com o suporte de emendas parlamentares”, reforçou. 

Com relação ao deficit de pessoal e rotatividade, Franklin comentou que é uma realidade de mercado, e que a reposição de mão de obra é um desafio nacional. “Hospitais de todo o Brasil enfrentam esse problema. Perdemos muitos profissionais para concursos públicos”, acrescentou.  

Sobre os questionamentos recebidos quanto à sobrecarga de trabalho, ele explicou que o hospital tem feito um redimensionamento das equipes conforme a curva de atendimento e ocupação dos setores. Também estão sendo elaborados demonstrativos da saúde financeira por especialidade, com previsão de conclusão até dezembro.

O diretor explicou ainda que, para auxiliar no enfrentamento do problema de defasagem na estrutura funcional, está em andamento o Plano de Cargos e Salários, mas que a implementação exige tempo e responsabilidade. Trata-se de um processo técnico, que depende de discussões com fóruns internos e pode levar meses para ser concluído. Franklin acrescentou também que, desde fevereiro, a gestão tem promovido reuniões com todos os turnos de trabalho, buscando construir “uma nova realidade de trabalho para o HRO”.

Outros pontos abordados incluíram o fracionamento de férias dos trabalhadores, previsto em lei e aplicado conforme escolha do profissional, e a priorização de contratações locais. Segundo o diretor, a sobrecarga não é uma rotina e, apesar do deficit, o hospital vem cobrindo a demanda com horas extras e reposicionamento estratégico de colaboradores.

O Presidente da Associação Hospitalar Lenoir Vargas Ferreira (ALVF), entidade gestora do hospital, Mauro Damo reforçou o caráter voluntário da diretoria e a atuação da entidade ao longo de mais de 20 anos. “Trabalhamos com afinco, dedicação e amor. Não visamos lucro, mas também não podemos operar com prejuízo”, destacou. Sobre possíveis denúncias de assédio, ele declarou nunca ter recebido relatos formais enquanto esteve ligado à Associação, mas se colocou à disposição para apurar qualquer situação que venha a ser oficialmente apresentada.

Do ponto de vista do Ministério Público do Trabalho, a promotora Elysa Tomazi ressaltou que há procedimentos investigativos em curso envolvendo temas como assédio moral, redimensionamento de equipes e jornada de trabalho. “Nosso foco é a saúde e segurança do trabalhador. Já solicitamos informações ao hospital e acompanhamos o andamento das melhorias. Identificamos avanços, mas seguiremos avaliando para decidir quais providências serão tomadas, seja por meio de Termo de Ajustamento de Conduta ou, se necessário, ação civil pública”, explicou.

O presidente do SITESSCH, Fábio Ramos Nunes Fernandes, reforçou o papel do sindicato em construir pontes e buscar soluções. “Nosso objetivo é a valorização do trabalhador. Sabemos que há falta de profissionais, rotatividade e relatos de assédio. Estamos aqui para dialogar e defender melhores condições de trabalho, inclusive no que diz respeito à remuneração, onde ainda não avançamos”, afirmou.

Na condução da reunião, o vereador Cesar Valduga destacou que o momento é de escuta e busca por soluções. “Sabemos da importância do HRO para a saúde pública regional. Recebemos diversas manifestações relacionadas à sobrecarga, adoecimento, férias e remuneração dos trabalhadores. Por isso, queremos entender o que está sendo feito e quais são os próximos passos para aprimorar esse ambiente de trabalho”, disse.

Entre os encaminhamentos, a promotora Elysa Tomazi reforçou que o Ministério Público do Trabalho seguirá acompanhando as demandas de forma ativa, com foco na orientação e promoção de um ambiente de trabalho focado na saúde e na segurança do colaborador.