A
Câmara Municipal de Chapecó aprovou em segunda votação o Projeto
de Lei Ordinária nº 224/2025, de autoria dos vereadores Paulinho da
Silva (PCdoB) e Cesar Antonio Valduga (PCdoB). A proposta institui a
criação de espaços sensoriais adaptados nas Unidades de Saúde do
Município, destinados ao acolhimento de pessoas com Transtorno do
Espectro Autista (TEA) durante o atendimento de urgência e
emergência.
A iniciativa busca tornar o ambiente mais
acolhedor e menos estressante para crianças, adolescentes e adultos
com autismo, que muitas vezes, enfrentam dificuldades diante de
estímulos como luzes intensas, sons altos e aglomerações. De
acordo com o texto aprovado, os espaços sensoriais deverão oferecer
locais seguros e adequados à regulação emocional, garantindo a
permanência do paciente com TEA acompanhado de seu responsável até
o atendimento clínico, “priorizando
o acolhimento e evitando a exposição a estímulos adversos”.
Além
da estrutura física, o projeto prevê a capacitação das equipes de
saúde para o atendimento humanizado às pessoas com autismo, com
orientações sobre a utilização adequada desses espaços e o
manejo de situações que envolvam crises sensoriais.
O
vereador Paulinho da Silva destacou que o projeto é uma resposta
concreta às demandas das famílias e reforça o dever do poder
público de garantir um atendimento cada vez mais humano. “O
Transtorno do Espectro Autista (TEA) é uma condição do
neurodesenvolvimento que impacta a forma como a pessoa percebe o
mundo, se comunica e interage socialmente. Uma das características
comuns é a hipersensibilidade sensorial, ou seja, sons altos, luzes
intensas, aglomerações ou cheiros fortes podem causar angústia
intensa, crises de desregulação emocional ou até mesmo a recusa ao
atendimento médico”, explicou o vereador.
Ele
lembrou ainda que os ambientes hospitalares podem ser especialmente
desafiadores para pessoas com autismo. “Ambientes hospitalares,
especialmente os de pronto atendimento, são naturalmente carregados
de estímulos. Para uma pessoa com TEA, essa realidade pode ser
vivida como uma experiência traumática, interferindo diretamente na
sua saúde física e emocional. Muitas famílias evitam procurar as
Unidades de Saúde justamente por saberem da sobrecarga sensorial a
que seus filhos serão submetidos”.
Já o vereador
Cesar Valduga ressaltou o caráter prático e o impacto social da
medida.
“A criação de espaços sensoriais adaptados é
uma medida simples, mas de alto impacto, que garante mais conforto e
acolhimento durante o período de espera e atendimento médico.
Trata-se de uma iniciativa baseada em boas práticas já adotadas por
diversos municípios brasileiros e por protocolos internacionais de
acessibilidade sensorial”, acrescentou.
Valduga
também reforçou que a proposta reflete o compromisso da Câmara com
políticas públicas inclusivas e com o respeito à neurodiversidade.
“O respeito à neurodiversidade é um princípio fundamental em
uma sociedade inclusiva. Implementar políticas públicas voltadas ao
acolhimento adequado de pessoas com TEA não é um favor, mas um
dever do poder público. Com este projeto, Chapecó dá um passo
concreto em direção a um sistema de saúde verdadeiramente
acessível, humano e eficiente”.
A proposta segue
alinhada à Lei Federal nº 12.764/2012 (Lei Berenice Piana), que
institui a Política Nacional de Proteção dos Direitos da Pessoa
com Transtorno do Espectro Autista. Com a aprovação em plenário, o
texto foi encaminhado ao Poder Executivo Municipal para sanção e
regulamentação. Quando entrar em vigor, a lei permitirá que
Chapecó inicie a implementação dos espaços sensoriais nas
Unidades de Saúde, garantindo acolhimento, tranquilidade e dignidade
a pessoas com autismo e suas famílias.