A
Câmara Municipal de Chapecó realizou, na manhã desta segunda-feira
(17), uma reunião de trabalho para discutir o tema “Climatério e
Menopausa”, reunindo profissionais da saúde, pesquisadoras,
representantes da rede municipal de saúde e estudantes. O encontro,
proposto pela vereadora Marcilei Vignatti (União Brasil) por meio do
Requerimento nº 216/2025 aprovado em Plenário, buscou aprofundar o
debate sobre os impactos físicos, psicológicos e sociais
vivenciados pelas mulheres neste período e alinhar encaminhamentos
que possam orientar futuras políticas públicas no município.
A
vereadora Marcilei, que conduziu a reunião, destacou que o debate
tem crescido nacionalmente e que Chapecó precisa avançar na
construção de ações concretas. “Nosso objetivo é calibrar o
texto da lei que aprovamos nesta Casa com a prática existente na
rede de educação e com aquilo que está sendo produzido pelas
universidades. É um tema que tem ganhado espaço e temos o dever de
dialogar para que as políticas propostas sejam mais assertivas”.
Ela reforçou que, como presidente da União de Vereadores de Santa
Catarina (UVESC), percebe a pauta avançando nos coletivos que
discutem saúde da mulher em todo o Estado.
A
parlamentar também ressaltou que todas as contribuições
registradas comporão uma ata, que poderá servir de base para a
formulação de políticas públicas no município.
Discussões
e contribuições das participantes
O encontro reuniu
especialistas que atuam tanto na formação acadêmica quanto na rede
municipal de saúde. A enfermeira obstetra e professora da UFFS,
Joice Schmalfuss, pontuou que ainda há falhas na abordagem
preventiva do climatério. “Culturalmente existe uma mistura
conceitual entre climatério e menopausa. Falta foco no preparo para
vivenciar o processo, não apenas no tratamento de
sintomas”.
Representando a Clínica da Mulher,
Caroline Bruxel ressaltou a importância de preparar a rede para
acolher as mulheres que chegam com dúvidas e queixas. A médica
Denúsia Dalben, que participou em nome da Secretaria de Saúde,
destacou a estrutura existente.
“Das 26 unidades de saúde, 16
contam com ginecologista obstetra para atendimento dessas demandas.
Estamos disponíveis para acolher e discutir a viabilidade de todas
as propostas apresentadas”.
Da atenção básica, Camila
Dal Santo Longhi enfatizou que o estilo de vida, exames preventivos e
o acolhimento adequado são pilares essenciais. “As mulheres em
vulnerabilidade são as que mais sofrem. Precisamos pensar no
princípio de oferecer mais para quem precisa mais.”
A
estudante de enfermagem, Monize Konorath, responsável pela coleta de
dados de autopercepção das mulheres atendidas, destacou que o
estudo tem revelado a necessidade de desconstruir mitos e construir
novas abordagens. A professora da Udesc e pesquisadora da saúde da
mulher, Denise de Azambuja Zoche, reforçou que o tema tem ganhado
força nas pesquisas e nas legislações recentes. “Há muitos
mitos sobre reposição hormonal e muito a ser desmistificado. Uma
política efetiva precisa de diretrizes, qualificação dos
profissionais e informação para a população”.
Também
da Udesc, a professora Jouhanna do Carmo Menegaz frisou que cuidar da
saúde da mulher é atuar diretamente nos princípios do SUS:
universalidade, equidade e integralidade. “Estamos comprometidas
a colocar nossos recursos intelectuais e organizacionais para que a
nova lei vire ações de saúde para as mulheres de
Chapecó”.
A enfermeira e professora Kátia Adamy
acrescentou que a formação continuada dos profissionais é
fundamental. “Precisamos levantar um bom diagnóstico situacional
para definir os próximos passos com precisão e
segurança”.
Encaminhamentos
Ao final
do encontro, foram definidos encaminhamentos estratégicos para dar
continuidade ao trabalho:
• Organização de uma atividade
regional de capacitação para profissionais da saúde, preparando a
rede para acolher e orientar as mulheres no climatério;
• Promoção
de seminários regionais reunindo lideranças, profissionais e
pesquisadores, com início em Chapecó.
• Realização de uma
reunião interna com profissionais da saúde para estruturação das
primeiras ações.
• Construção de um cronograma de
encontros e elaboração de um plano de atuação.
• Ampliação
do diálogo com a Secretaria de Assistência Social para alcançar
mulheres em situação de vulnerabilidade.
A vereadora
Marcilei destacou que este é apenas o primeiro passo e reforçou:
“Precisamos estar em movimento. O que discutimos aqui será
fundamental para transformar conhecimento em políticas públicas que
atendam às mulheres chapecoenses”. A reunião foi transmitida
pelos canais oficiais da Câmara de Chapecó e permanecerá
disponível ao público.