A
concentração de andorinhas na região central de Chapecó foi tema
de uma Reunião de Trabalho realizada nesta terça-feira (29), na
Câmara Municipal. O encontro foi solicitado pelo vereador André
Kovaleski (PL), por meio do Requerimento nº 128/2026, e reuniu
representantes do Executivo Municipal, Polícia Militar Ambiental,
Unochapecó, vereadores, comerciantes e moradores. O objetivo foi
discutir alternativas diante dos transtornos provocados pela presença
das aves, especialmente na Rua Clevelândia, entre as avenidas
Getúlio Vargas e Fernando Machado.
O local tem sido
utilizado pelas andorinhas como ponto de parada e dormitório durante
o período migratório. Moradores e comerciantes relataram que a
grande quantidade de aves provoca fezes em calçadas, fachadas,
sacadas de prédios e áreas próximas aos estabelecimentos, além de
odores e necessidade frequente de limpeza. Segundo os relatos, a
situação interfere na rotina, na qualidade de vida e na atividade
dos estabelecimentos, especialmente os do ramo alimentício.
Também
foram relatados episódios de aves que se machucam ou morrem ao se
chocarem contra redes de energia elétrica e outros obstáculos
existentes na região, que possui intenso movimento de veículos e é
corredor de ônibus. Moradores e empresários pediram providências
com urgência.
Autor da reunião, o vereador André
Kovaleski afirmou que o objetivo não é combater as aves, mas buscar
alternativas que preservem a fauna e, ao mesmo tempo, reduzam os
impactos para quem vive e trabalha na região. “Não temos nada
contra os animais, mas temos que pensar em alternativas para que eles
encontrem outros locais, que possam fazer de dormitório”,
declarou.
O vereador destacou os relatos apresentados por
moradores e comerciantes e defendeu que o poder público atue antes
que a concentração das aves se consolide no local.
“Preciso
olhar para as pessoas e para a situação que elas estão vivendo no
dia a dia. Respeitamos a fauna, mas preciso olhar para as pessoas.
Não posso esperar que um estabelecimento feche as portas, ou que
alguém tenha um problema de saúde por conta disso”,
afirmou.
Proteção das aves exige alternativas dentro
da legislação
A fiscalização ambiental explicou
que a presença das andorinhas em Chapecó está relacionada ao ciclo
migratório da espécie. Conforme a bióloga e fiscal ambiental do
Município, Priscila Confortin, a situação é acompanhada desde
2017, quando a população passou a procurar o poder público em
razão da concentração das aves, inicialmente na região do Banco
do Brasil. “A andorinha que nos visita em Chapecó é migratória
e procura a cidade no fim do inverno, em busca do calor.
Elas estão em período de reprodução. A concentração maior
acontece entre março e abril”, explicou.
Priscila
destacou que as aves são protegidas pela legislação ambiental e
que qualquer intervenção precisa considerar o manejo da fauna. “Não
podemos e não estamos ignorando o desconforto, mas as aves têm
status de proteção e não podemos eliminá-las. Estamos buscando
soluções e realizando ações. O manejo da arborização precisa
considerar sempre o manejo da fauna antes de qualquer intervenção”,
afirmou.
Ela também explicou que o Município possui um
Plano Municipal de Arborização Urbana, elaborado em 2020, que
passará por revisão. Entre os pontos que serão avaliados está a
escolha de espécies mais adequadas para a arborização
urbana.
Universidade alerta para necessidade de estudos
antes de intervenções
A professora Cássia Alves
Lima Rezende, representante do curso de Ciências Biológicas da
Unochapecó, reconheceu o desconforto enfrentado pela população,
mas destacou a necessidade de avaliar os impactos de qualquer medida
sobre o comportamento das aves e o equilíbrio ambiental. “Entendemos
que traz um desconforto para a população, mas sabemos que tem
espécies que, no ciclo biológico delas, ficam no município no
período de migração”, explicou.
Segundo ela, a
universidade está realizando estudos para contribuir tecnicamente
com a discussão. A professora também demonstrou cautela em relação
à retirada da vegetação utilizada pelas aves. “Se a gente
dispersa esse grupo, nós não temos certeza para onde ele vai”,
afirmou.
Em relação à saúde pública, Cássia
ressaltou que, até o momento, não há evidências apresentadas de
que as aves representem um problema sanitário relacionado a
patógenos. “A gente não tem evidências de que elas são um
problema de saúde pública do ponto de vista de patógeno, o que não
significa que não exista. Ainda não temos um estudo de longo prazo
neste sentido”, esclareceu.
A professora reforçou,
ainda, a importância de considerar os relatos de moradores e
comerciantes e de construir uma solução conjunta.
Município
testa equipamentos e avalia intervenções na arborização
O
diretor de Meio Ambiente de Chapecó, Marck Gehlen, afirmou que o
Município busca alternativas para reduzir a concentração das aves
sem desrespeitar a legislação ambiental. “Não é um problema
de fácil solução, mas estamos aqui para construirmos juntos uma
solução”, afirmou.
Segundo Gehlen, o Município já
adquiriu equipamentos que deverão ser testados para repelir as aves.
A previsão é que o material seja instalado nas árvores utilizadas
como dormitório nos próximos dias.
O
diretor destacou, porém, que existem limitações legais para
intervenções na vegetação.
“Queremos muito resolver o
problema, mas precisamos respeitar as leis. Somos diariamente
fiscalizados e precisamos cumprir. Temos que fazer algo dentro da
lei, dentro do que ela nos permite”, disse.
Lavação
da rua continuará
O secretário de Serviços Urbanos
e Zeladoria, Nelson João Krombauer, explicou que o Município já
realiza a limpeza do trecho para minimizar os impactos provocados
pela presença das aves. “É a natureza acontecendo, mas a gente
sempre estendeu as mãos para os moradores com a lavação da rua.
Sabemos que é uma solução paliativa, mas estamos aqui para
contribuir com o que for possível dentro da legislação vigente”,
afirmou.
Krombauer também citou a possibilidade de
intervenções na vegetação e a instalação de telas como
alternativas a serem avaliadas, desde que haja segurança legal e
autorização dos órgãos competentes. “Se nós tivermos
segurança legal para fazer a supressão de parte das árvores e
colocar telas para que elas não se aproximem, podem ser
alternativas”, explicou.
Polícia Ambiental
acompanha situação
Representando a Polícia Militar
Ambiental, o sargento Ivan Caetano de Oliveira destacou que o
problema já é conhecido e que o órgão está à disposição para
orientar e acompanhar as medidas que possam ser adotadas.
Segundo
ele, há registros de situações em que as aves acabam se chocando
contra redes de energia ou outros obstáculos. “Temos várias
situações de animais que se debatem na rede elétrica e se chocam.
O problema não é de hoje. Elas migram”, afirmou.
Vereadores
defendem encaminhamentos
O vereador André Kovaleski
reforçou que a reunião teve como objetivo reunir diferentes áreas
para buscar uma solução concreta para a situação. “Hoje eu
trouxe o problema, amanhã vou cobrar a solução”, disse.
O
vereador Victor Monteiro (Progressistas) também destacou a
necessidade de conciliar a presença das aves com os impactos
relatados por moradores e comerciantes. “Nós temos ali duas
situações bem marcantes: é um fenômeno da natureza, que acontece
durante este período do ano. Por outro lado, temos a questão da
saúde das pessoas, temos os moradores, os estabelecimentos”,
afirmou.
Para ele, a participação conjunta do poder
público e de especialistas é fundamental para encontrar
encaminhamentos. “Quem convive ali sabe o quão desafiador é.
Poder público e especialistas têm que estar unidos e envolvidos
nesta causa para encontrarmos soluções”,
acrescentou.
Medidas serão executadas e avaliadas nos
próximos dias
Ao final da reunião, foram definidos
encaminhamentos que deverão ser executados ou planejados nos
próximos dias. Entre as medidas estão:
- Continuidade da
lavação da via;
- Melhoria da iluminação pública;
-
Instalação de equipamentos nas árvores para repelir as aves;
-
Realização de poda;
- Avaliação da possibilidade de
supressão da vegetação, observando as exigências ambientais e
legais.
A previsão estabelecida durante a reunião é de
até 30 dias para a execução das medidas possíveis e/ou
apresentação do planejamento das ações.
A revisão do
Plano Municipal de Arborização Urbana também deverá integrar as
discussões sobre o manejo da vegetação no município.
A
reunião terminou com o compromisso de acompanhamento das medidas e
continuidade do diálogo entre moradores, comerciantes, especialistas
e poder público, na busca por alternativas que reduzam os impactos
enfrentados no centro da cidade sem desconsiderar a proteção legal
das aves e seu ciclo migratório.







