Câmara debate alternativas para concentração de andorinhas na região central de Chapecó

Reunião de trabalho discutiu impactos para moradores e comerciantes, proteção da fauna e medidas que poderão ser adotadas pelo Município nos próximos dias.
PUBLICADO EM 29/09/2026 - 17:39
Câmara debate alternativas para concentração de andorinhas na região central de Chapecó

A concentração de andorinhas na região central de Chapecó foi tema de uma Reunião de Trabalho realizada nesta terça-feira (29), na Câmara Municipal. O encontro foi solicitado pelo vereador André Kovaleski (PL), por meio do Requerimento nº 128/2026, e reuniu representantes do Executivo Municipal, Polícia Militar Ambiental, Unochapecó, vereadores, comerciantes e moradores. O objetivo foi discutir alternativas diante dos transtornos provocados pela presença das aves, especialmente na Rua Clevelândia, entre as avenidas Getúlio Vargas e Fernando Machado.

O local tem sido utilizado pelas andorinhas como ponto de parada e dormitório durante o período migratório. Moradores e comerciantes relataram que a grande quantidade de aves provoca fezes em calçadas, fachadas, sacadas de prédios e áreas próximas aos estabelecimentos, além de odores e necessidade frequente de limpeza. Segundo os relatos, a situação interfere na rotina, na qualidade de vida e na atividade dos estabelecimentos, especialmente os do ramo alimentício.

Também foram relatados episódios de aves que se machucam ou morrem ao se chocarem contra redes de energia elétrica e outros obstáculos existentes na região, que possui intenso movimento de veículos e é corredor de ônibus. Moradores e empresários pediram providências com urgência.

Autor da reunião, o vereador André Kovaleski afirmou que o objetivo não é combater as aves, mas buscar alternativas que preservem a fauna e, ao mesmo tempo, reduzam os impactos para quem vive e trabalha na região. “Não temos nada contra os animais, mas temos que pensar em alternativas para que eles encontrem outros locais, que possam fazer de dormitório”, declarou.

O vereador destacou os relatos apresentados por moradores e comerciantes e defendeu que o poder público atue antes que a concentração das aves se consolide no local.

“Preciso olhar para as pessoas e para a situação que elas estão vivendo no dia a dia. Respeitamos a fauna, mas preciso olhar para as pessoas. Não posso esperar que um estabelecimento feche as portas, ou que alguém tenha um problema de saúde por conta disso”, afirmou.

Proteção das aves exige alternativas dentro da legislação

A fiscalização ambiental explicou que a presença das andorinhas em Chapecó está relacionada ao ciclo migratório da espécie. Conforme a bióloga e fiscal ambiental do Município, Priscila Confortin, a situação é acompanhada desde 2017, quando a população passou a procurar o poder público em razão da concentração das aves, inicialmente na região do Banco do Brasil. “A andorinha que nos visita em Chapecó é migratória e procura a cidade no fim do inverno, em busca do calor. Elas estão em período de reprodução. A concentração maior acontece entre março e abril”, explicou.

Priscila destacou que as aves são protegidas pela legislação ambiental e que qualquer intervenção precisa considerar o manejo da fauna. “Não podemos e não estamos ignorando o desconforto, mas as aves têm status de proteção e não podemos eliminá-las. Estamos buscando soluções e realizando ações. O manejo da arborização precisa considerar sempre o manejo da fauna antes de qualquer intervenção”, afirmou.

Ela também explicou que o Município possui um Plano Municipal de Arborização Urbana, elaborado em 2020, que passará por revisão. Entre os pontos que serão avaliados está a escolha de espécies mais adequadas para a arborização urbana.

Universidade alerta para necessidade de estudos antes de intervenções

A professora Cássia Alves Lima Rezende, representante do curso de Ciências Biológicas da Unochapecó, reconheceu o desconforto enfrentado pela população, mas destacou a necessidade de avaliar os impactos de qualquer medida sobre o comportamento das aves e o equilíbrio ambiental. “Entendemos que traz um desconforto para a população, mas sabemos que tem espécies que, no ciclo biológico delas, ficam no município no período de migração”, explicou.

Segundo ela, a universidade está realizando estudos para contribuir tecnicamente com a discussão. A professora também demonstrou cautela em relação à retirada da vegetação utilizada pelas aves. “Se a gente dispersa esse grupo, nós não temos certeza para onde ele vai”, afirmou.

Em relação à saúde pública, Cássia ressaltou que, até o momento, não há evidências apresentadas de que as aves representem um problema sanitário relacionado a patógenos. “A gente não tem evidências de que elas são um problema de saúde pública do ponto de vista de patógeno, o que não significa que não exista. Ainda não temos um estudo de longo prazo neste sentido”, esclareceu.

A professora reforçou, ainda, a importância de considerar os relatos de moradores e comerciantes e de construir uma solução conjunta.

Município testa equipamentos e avalia intervenções na arborização

O diretor de Meio Ambiente de Chapecó, Marck Gehlen, afirmou que o Município busca alternativas para reduzir a concentração das aves sem desrespeitar a legislação ambiental. “Não é um problema de fácil solução, mas estamos aqui para construirmos juntos uma solução”, afirmou.

Segundo Gehlen, o Município já adquiriu equipamentos que deverão ser testados para repelir as aves. A previsão é que o material seja instalado nas árvores utilizadas como dormitório nos próximos dias.

O diretor destacou, porém, que existem limitações legais para intervenções na vegetação.
“Queremos muito resolver o problema, mas precisamos respeitar as leis. Somos diariamente fiscalizados e precisamos cumprir. Temos que fazer algo dentro da lei, dentro do que ela nos permite”, disse.

Lavação da rua continuará

O secretário de Serviços Urbanos e Zeladoria, Nelson João Krombauer, explicou que o Município já realiza a limpeza do trecho para minimizar os impactos provocados pela presença das aves. “É a natureza acontecendo, mas a gente sempre estendeu as mãos para os moradores com a lavação da rua. Sabemos que é uma solução paliativa, mas estamos aqui para contribuir com o que for possível dentro da legislação vigente”, afirmou.

Krombauer também citou a possibilidade de intervenções na vegetação e a instalação de telas como alternativas a serem avaliadas, desde que haja segurança legal e autorização dos órgãos competentes. “Se nós tivermos segurança legal para fazer a supressão de parte das árvores e colocar telas para que elas não se aproximem, podem ser alternativas”, explicou.

Polícia Ambiental acompanha situação

Representando a Polícia Militar Ambiental, o sargento Ivan Caetano de Oliveira destacou que o problema já é conhecido e que o órgão está à disposição para orientar e acompanhar as medidas que possam ser adotadas.

Segundo ele, há registros de situações em que as aves acabam se chocando contra redes de energia ou outros obstáculos. “Temos várias situações de animais que se debatem na rede elétrica e se chocam. O problema não é de hoje. Elas migram”, afirmou.

Vereadores defendem encaminhamentos

O vereador André Kovaleski reforçou que a reunião teve como objetivo reunir diferentes áreas para buscar uma solução concreta para a situação. “Hoje eu trouxe o problema, amanhã vou cobrar a solução”, disse.

O vereador Victor Monteiro (Progressistas) também destacou a necessidade de conciliar a presença das aves com os impactos relatados por moradores e comerciantes. “Nós temos ali duas situações bem marcantes: é um fenômeno da natureza, que acontece durante este período do ano. Por outro lado, temos a questão da saúde das pessoas, temos os moradores, os estabelecimentos”, afirmou.

Para ele, a participação conjunta do poder público e de especialistas é fundamental para encontrar encaminhamentos. “Quem convive ali sabe o quão desafiador é. Poder público e especialistas têm que estar unidos e envolvidos nesta causa para encontrarmos soluções”, acrescentou.

Medidas serão executadas e avaliadas nos próximos dias

Ao final da reunião, foram definidos encaminhamentos que deverão ser executados ou planejados nos próximos dias. Entre as medidas estão:

- Continuidade da lavação da via;

- Melhoria da iluminação pública;

- Instalação de equipamentos nas árvores para repelir as aves;

- Realização de poda;

- Avaliação da possibilidade de supressão da vegetação, observando as exigências ambientais e legais.

A previsão estabelecida durante a reunião é de até 30 dias para a execução das medidas possíveis e/ou apresentação do planejamento das ações.

A revisão do Plano Municipal de Arborização Urbana também deverá integrar as discussões sobre o manejo da vegetação no município.

A reunião terminou com o compromisso de acompanhamento das medidas e continuidade do diálogo entre moradores, comerciantes, especialistas e poder público, na busca por alternativas que reduzam os impactos enfrentados no centro da cidade sem desconsiderar a proteção legal das aves e seu ciclo migratório.

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