
Na noite de terça-feira (14), foi realizada uma Audiência Pública, na Câmara Municipal de Chapecó, atendendo ao Requerimento da vereadora Marcilei Vignatti, com o objetivo de discutir sobre o Projeto de Lei que sanciona o Plano de Mobilidade Urbana, em tramitação da Casa.
Participaram da audiência, além do proponente, o vice-prefeito de Chapecó, Luciano Buligon; a deputada estadual, Luciane Carminatti; o vereador Cleiton Fossá; o secretário municipal de desenvolvimento urbano Wilson Lobo; o professor e coordenador da LAB-TRANS/UFSC, Rodolfo Philippi; o pesquisador e especialista de mobilidade urbana da LAB-TRANS/UFSC, Bruno Borges; representantes de entidades; representantes de associações e cidadãos interessados.
De acordo com a vereadora Marcilei Vignatti, audiência tinha como intuito a apresentação do plano de mobilidade urbana. “O mais importante nesta noite, é ouvirmos o que as pessoas têm a dizer sobre o plano, para colhermos suas percepções e conseguirmos aprovar um projeto mais adequado às necessidades da cidade”, ressalta.
Para o vice-prefeito Luciano Buligon, Chapecó adota uma postura pioneira nas discussões sobre mobilidade urbana. “Enquanto no restante do país esse tema ganhou relevância apenas após as manifestações de 2013, muito antes disso, aqui, já começávamos os primeiros estudos que resultaram neste projeto, hoje debatido no legislativo, Poder mais importante de Chapecó, pois representa o povo chapecoense”, defende.
Comemorando a participação da comunidade no evento, a deputada estadual Luciane Carminatti destaca que o trabalho dos técnicos tem um grande valor para sistematizar o trabalho. “Entretanto, os usuários deste sistema de mobilidade urbana serão as pessoas que moram, trabalham e se deslocam por Chapecó. Por isto, nada mais justo que darmos voz para que os cidadãos apresentem as suas críticas e sugestões”, afirma.
O especialista Bruno Borges, fez uma apresentação gráfica sobre o plano de mobilidade urbana e descreveu as suas principais diretrizes. “Entrevistamos mais de 10 mil pessoas e fizemos um levantamento de dados sobre o tráfego de veículos, pedestres, bicicletas e transporte público. Inserimos essa informação em um software que simulou como a cidade estará daqui a 10 anos. A partir disto, realizamos uma série de sugestões e propostas, com foco na melhoria da qualidade dos deslocamentos de quem vive em Chapecó”, explica.
Entre as propostas, estão a instalação de ciclovias e ciclofaixas, na Avenida Getúlio Vargas e Avenida São Pedro, que serão os eixos principais do projeto cicloviário na cidade. Em uma segunda etapa, também serão contempladas com ciclofaixas outras vias da cidade. O projeto prevê outras modificações no trânsito, como a substituição das rótulas por semáforos; a construção de um terminal urbano, na região da EFAPI; a criação de vias locais nos bairros, com velocidade máxima de 30 km/h; entre outras.
Após a explanação inicial, a vereadora Marcilei Vignatti, abriu a palavra para o público presente, que após blocos de cinco participações, devolvia a palavra para as considerações da mesa. A presidente do Sindicato dos Trabalhadores no Serviço Público Municipal de Chapecó e Região, Rozangela Dalbosco, questionou sobre possibilidade de não existir mais o cargo de auxiliar de bordo nos ônibus. “Esse cargo que antigamente era conhecido como cobrador é muito importante, pois além de fazer a cobrança das passagens, ele serve para auxiliar no embarque de pessoas com dificuldade de locomoção e também para garantir que todos estejam em segurança durante o trajeto. Assim o motorista consegue focar a sua atenção apenas no trânsito.”, defendeu Rozangela. Por outro lado, o especialista Bruno Borges respondeu que uma alternativa seria o sistema de aquisição externa das passagens. “O Brasil é o único país do mundo que ainda conta com um cobrador dentro do ônibus. Em outros lugares, o bilhete é adquirido em estabelecimentos fora do veículo, dentro existe apenas uma máquina para validar a passagem sem a necessidade da catraca, o que evita filas e garante uma maior agilidade no sistema”, argumentou Bruno.
Como encaminhamentos da audiência pública, foram definidos que os participantes formarão o Fórum de Mobilidade Urbana, o qual monitorará a implantação do Plano de Mobilidade Urbana. A vereadora apresentará uma moção pedindo que seja suspensa a licitação do transporte público, até que o Plano de Mobilidade Urbana seja aprovado pelos vereadores. “Através do Fórum, firmamos o compromisso em acompanhar este projeto que impactará na qualidade de vida futura dos chapecoenses”, finalizou Marcilei Vignatti.