50 anos do Golpe Civil Militar na Audiência Pública realizada na Câmara
50 anos do Golpe Civil Militar na Audiência Pública realizada na Câmara
PUBLICADO EM 03/04/2014 - 00:00

10154939 718821961502500 255757985 nA audiência pública que tratou sobre os 50 anos do Golpe Civil e Militar realizada na Câmara de Vereadores reuniu lideranças partidárias, sindicais, comunitárias, professores e estudantes. Com predominância de jovens, mais de duzentos pessoas estiveram presentes na atividade que foi coordenada pelo Vereador Paulinho da Silva com apoio do Vereador Cesar Valduga. “A presença foi surpreendente, com um pouco de esforço para se acomodar, os presentes acompanharam com muito interesse o debate”, manifestou Paulinho.

O Sindicalista e historiador Alzumir Rosari, enfatizou que a ditadura cerceou a liberdade de toda uma geração. Através da intervenção nas entidades estudantis, sindicais, partidos, com a cassação de direitos políticos, além da tortura e desaparecimento de muitas pessoas. Impregnou o medo na sociedade, como forma de tentar acabar com a resistência da população. Cogita-se que o país chegou a ter mais de 700 mil delatores, e que esta prática estimulada pelo governo levou milhares de pessoas serem presas por motivos alheios a resistência ao regime. O resultado do regime foi contrário a ideia amplamente propagandeada de crescimento. Segundo ele a riqueza não foi distribuída, ocorreu amplo crescimento das favelas, abandono do campo, grupos sociais acometidos pela miséria e a fome, a inflação foi nas alturas e o salário mínimo sofreu enorme perda de poder de compra. “O alto escalão militar, responsável pelas atrocidades, goza hoje de aposentadorias milionárias, enquanto o trabalhador brasileiro tem redução de renda na aposentadoria devido ao fator atuarial”, concluiu o sindicalista.10153769 643867292329492 1028706264 n

Na sua manifestação o professor Henrique Aniceto Kujawa, representando o CEOM, contestou que não há nada a comemorar nesta passagem dos 50 anos do Golpe, pois até hoje o país ainda não recuperou o desempenho que possuía antes da Ditadura com relação a desigualdade social, avaliação medida pelo índice de GINI. Manifestou que a imposição do Regime não permitiu à população a escolha pelas reformas de base que o país necessitava. “Com a experiência que o país viveu, podemos concluir em primeiro lugar que os fins não justificam os meios, segundo que não se amplia democracia com opressão e, portanto, não foi em nome da democracia que o golpe aconteceu, terceiro que o poder precisa ser transparente para uma sociedade ética e, por fim, que o crescimento deve ser avaliado pelos ganhos e melhorias de vida para o povo”, finalizou o professor.

A coordenadora do Centro de Referência em Direitos Humanos da UFFS, ex-vereadora Angela Vitória, defendeu que a tortura e a pena de morte não eram previstos na legislação do período da ditadura. Que não havia acusação, direito a defesa e condenação dos que foram perseguidos. Como a Lei da Anistia foi aprovada por um congresso que só tinha maioria, porque os opositores ao Regime eram cassados, não era legítimo para perdoar os crimes cometidos, defendeu Angela.

O professor Claiton Márcio da Silva, representando da Comissão da Verdade da UFFS disse que as marcas da ditadura ainda estão presentes na sociedade, ressaltando que ainda existe um saldo de 475 pessoas tidas como desaparecidas. “Em Chapecó membros do diretório do PTB foram pressos em 1964, o mandato do prefeito Sadi José de Marco foi cassado em 1969, como também foi cassado o mandato do Deputado Genir Destri. De Joaçaba, o Deputado estadual Paulo Stuart Wright, desapareceu em 1973.

As pessoas que viveram no período fizeram manifestações emotivas, alguns inclusive utilizando da música e do recital para fazer o seu registro. “O dia 31 de março é momento de reflexão, tristeza e solidariedade” manifestou Gui Pereira.

Destaque para manifestações pelo seja esquecimento do que ocorreu para que a trajetória do país não volte a viver novamente a Ditadura, o Golpe ou a tortura. O vereador Paulinho finalizou o encontro celebrando o positivo momento vivido que a Casa Legislativa se constitui em espaço que contribui para refazer a nossa história.